Método Barsi funciona nos Estados Unidos? Entenda por que a estratégia muda fora do Brasil
O método BESST de Luiz Barsi é uma das estratégias mais conhecidas da bolsa brasileira, focada em empresas sólidas, geradoras de caixa e pagadoras de dividendos. Mas será que essa filosofia funciona da mesma forma no mercado americano? A resposta é mais complexa do que parece.

O investidor brasileiro Luiz Barsi Filho se tornou uma referência quando o assunto é investimento em dividendos. Sua filosofia, baseada em acumular participação em empresas sólidas e viver de renda passiva, influenciou milhares de investidores no Brasil.
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Grande parte dessa estratégia ficou conhecida pelo conceito “BESST”, sigla utilizada para representar setores tradicionalmente fortes em geração de caixa e pagamento de dividendos:
- Bancos
- Energia
- Seguros
- Saneamento
- Telecomunicações
No mercado brasileiro, essa lógica funcionou muito bem ao longo das décadas. Empresas desses setores se consolidaram como gigantes da bolsa nacional, distribuindo dividendos robustos e apresentando crescimento consistente.
Porém, quando o investidor tenta aplicar exatamente a mesma fórmula nos Estados Unidos, a realidade muda bastante.
O mercado americano possui outra estrutura econômica, outra dinâmica setorial e uma cultura corporativa completamente diferente da brasileira. E isso impacta diretamente o desempenho do método.
O que é o método Barsi?
A filosofia de Luiz Barsi é baseada em alguns pilares principais:
- Comprar empresas sólidas;
- Focar em geração de caixa;
- Priorizar empresas lucrativas;
- Buscar dividendos recorrentes;
- Reinvestir os dividendos;
- Pensar em décadas, não em meses.
A ideia central nunca foi “ficar rico rápido”, mas sim construir patrimônio de forma gradual e sustentável através de empresas resilientes.
Ao longo do tempo, Barsi concentrou boa parte dos investimentos justamente em setores considerados previsíveis e essenciais para a economia.
Isso explica o foco em bancos, elétricas, seguradoras e empresas de infraestrutura.
Por que o método funciona tão bem no Brasil?
O grande motivo é a própria estrutura do mercado brasileiro.
Bancos extremamente lucrativos
O Brasil possui um dos sistemas bancários mais rentáveis do mundo. Bancos como:
- Itaú Unibanco
- Banco do Brasil
- Bradesco
operam historicamente com spreads elevados, alta concentração de mercado e forte geração de lucro.
Isso cria um cenário perfeito para distribuição de dividendos.
Além disso, o setor bancário brasileiro é relativamente concentrado, reduzindo a concorrência extrema observada em outros países.
Energia e saneamento com receitas previsíveis
Empresas de energia e saneamento no Brasil costumam operar em modelos regulados e muitas vezes monopolistas em determinadas regiões.
Companhias como:
- Taesa
- Copel
- Sabesp
apresentam receitas relativamente previsíveis e contratos de longo prazo.
No caso das transmissoras de energia, o fluxo de caixa tende a ser extremamente estável.
Dividendos fazem parte da cultura da bolsa brasileira
No Brasil, muitos investidores enxergam dividendos como prioridade absoluta.
Isso incentivou empresas maduras a distribuírem boa parte dos lucros aos acionistas, criando uma cultura muito favorável para investidores focados em renda passiva.
O problema de tentar copiar o método nos EUA
É justamente aqui que muitos investidores se frustram. O método não “quebra” nos Estados Unidos, mas ele precisa ser adaptado. Os mesmos setores do BESST existem no mercado americano, porém funcionam de maneira diferente.
Telecomunicações: o ponto mais fraco
Talvez o maior exemplo disso seja o setor de telecomunicações.
Empresas como:
- Verizon Communications
- AT&T
aparentam ser extremamente atrativas à primeira vista.
Normalmente possuem:
- dividend yield elevado;
- P/L baixo;
- receitas bilionárias.
Porém, ao analisar mais profundamente, aparecem vários problemas:
- dívidas enormes;
- crescimento muito baixo;
- necessidade constante de investimentos;
- margens pressionadas;
- forte concorrência.
O resultado é que muitas dessas empresas passam anos praticamente sem crescimento relevante.
Em vários momentos, o investidor recebe dividendos altos, mas vê o patrimônio pouco evoluir.
Saneamento nos EUA é caro e pouco expansivo
Outro setor que muda completamente é o saneamento.
Empresas como:
- American Water Works
são extremamente estáveis, mas o mercado já precifica essa qualidade.
O problema é que:
- o crescimento costuma ser lento;
- os dividendos não são tão altos;
- o valuation frequentemente é elevado.
Ou seja, o investidor paga caro por previsibilidade.
Diferente do Brasil, os EUA já possuem um mercado de saneamento extremamente consolidado e maduro.
Utilities americanas crescem pouco
No setor elétrico, companhias como:
- Duke Energy
- Southern Company
continuam sendo boas empresas defensivas.
Mas, novamente:
- crescimento limitado;
- necessidade constante de capital;
- forte dependência de juros.
Nos EUA, utilities costumam funcionar mais como proteção e geração de renda do que como grandes multiplicadoras de patrimônio.
Então o método Barsi não funciona nos EUA?
Funciona parcialmente.
O erro está em tentar replicar exatamente a mesma fórmula brasileira em um mercado completamente diferente.
Nos Estados Unidos, o investidor precisa adaptar a filosofia.
A essência ainda faz sentido:
- empresas sólidas;
- lucro consistente;
- geração de caixa;
- visão de longo prazo.
Mas os setores mais fortes mudam.
O verdadeiro “BESST americano”
Na prática, algumas categorias acabam funcionando melhor nos EUA do que no Brasil.
Bancos continuam fortes
Os grandes bancos americanos ainda são excelentes empresas.
Destaque para:
- JPMorgan Chase
- Bank of America
Essas companhias combinam:
- crescimento consistente;
- recompra de ações;
- dividendos crescentes;
- forte geração de caixa.
O diferencial é que os bancos americanos utilizam muito mais recompras de ações do que dividendos gigantescos.
Seguradoras talvez sejam o melhor setor “Barsi” dos EUA
Esse é um dos setores mais ignorados pelos investidores brasileiros.
Empresas como:
- Chubb
- Aflac
- Travelers Companies
apresentam características extremamente interessantes:
- lucros previsíveis;
- forte geração de caixa;
- bons retornos sobre patrimônio;
- valuation razoável;
- décadas de estabilidade.
Em muitos casos, seguradoras se encaixam melhor na filosofia Barsi americana do que telecoms ou saneamento.
Empresas de qualidade superam dividendos altos
Outro ponto importante é que o mercado americano premia muito empresas chamadas de “compounders”.
São companhias que conseguem crescer lucro e fluxo de caixa consistentemente por décadas.
Exemplos:
- Visa
- Mastercard
- S&P Global
- Moody’s
Essas empresas normalmente:
- possuem dividend yield baixo;
- negociam com P/L mais alto;
- mas crescem de forma extremamente consistente.
No longo prazo, muitas vezes acabam entregando retorno superior às empresas “baratas” focadas apenas em dividendos.
Como seria uma adaptação do método Barsi nos EUA?
Uma versão adaptada poderia ficar assim:
| Categoria | Empresas |
|---|---|
| Bancos | JPMorgan, Bank of America |
| Seguros | Chubb, Aflac |
| Utilities | Duke Energy, NextEra Energy |
| Infraestrutura | American Tower |
| Saúde | Johnson & Johnson, AbbVie |
| Compounders | Visa, Mastercard, S&P Global |
Nesse modelo, o foco deixa de ser apenas dividendos altos e passa a considerar:
- crescimento de lucro;
- recompra de ações;
- vantagem competitiva;
- retorno sobre capital;
- consistência operacional.
O maior aprendizado do investidor internacional
Talvez a principal conclusão seja:
O método não deve ser copiado literalmente, mas adaptado ao funcionamento de cada mercado.
O Brasil possui características muito específicas:
- juros historicamente altos;
- concentração bancária;
- utilities extremamente rentáveis;
- cultura forte de dividendos.
Já os Estados Unidos valorizam muito mais:
- crescimento sustentável;
- inovação;
- recompra de ações;
- eficiência operacional.
Isso muda completamente os setores mais interessantes para o longo prazo.
Disclaimer
Este conteúdo possui caráter exclusivamente educacional e informativo. Não representa recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Investimentos em renda variável envolvem riscos, incluindo perda parcial ou total do capital investido. Antes de investir, avalie seu perfil de risco e, se necessário, consulte um profissional certificado.

